Pesquisador traz informações sobre “mix” de plantas de cobertura de solo como alternativas para o inverno

Em artigo, o pesquisador Benhur Sari Severo destaca a utilização de mistura de sementes de gramíneas e de leguminosas em busca de um equilíbrio de proteção de solo e adubação verde para o inverno.

 

O estudante de agronomia e integrante grupo PET Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, Benhur Sari Severo, traz em artigo informações a respeito do mix entre gramíneas e leguminosas como opções para cobertura do solo e como isso pode beneficiar a prática do sistema plantio direto (SPD). Entre as misturas testadas, estão:

  • Aveia branca e preta;
  • Centeio;
  • Nabo forrageiro;
  • Nabo japonês.

 

De acordo com Benhur, pensando ainda na produtividade das culturas de verão, é preciso adequar os tratos culturais, que devem ser iniciados ainda logo no final da safra:

“Esse manejo pode atuar na quebra de ciclos de pragas e plantas daninhas, além de produzir palhada de qualidade para proteção do solo nos ciclos subsequentes. Para tanto, é necessário levar em consideração a quantidade de resíduos vegetais (kg/ha) que irá permanecer no sistema e a relação C/N dos resíduos, com o intuito de produzir mais matéria seca, com acúmulo e reciclagem de nutrientes e proteção do solo”.

 

O pesquisador Benhur Sari Severo pontua ainda que, utilizando uma única espécie, fica mais complicado obter equilíbrio que se espera entre a quantidade de palhada produzida, o tempo em que ela permanecerá sobre o solo e o ciclo de nutrientes.Diante disso, o mix de plantas de cobertura vem a ser uma alternativa para que se atinja os objetivos desejados no solo.

Entre as misturas testadas, está a de aveia branca e preta, centeio, nabo forrageiro e nabo japonês - Foto: Notícias Agrícolas.

 

“Nesse contexto, a utilização de plantas de cobertura associada à rotação das culturas anuais é uma alternativa para um manejo sustentável. A utilização de culturas de inverno de uma boa qualidade apresenta uma série de benefícios ao solo e à cultura subsequente. Tratando-se da relação C/N, existem duas opções: a utilização de culturas com uma maior relação C/N, resultando em uma velocidade de degradação dos resíduos menor e, consequentemente, maior tempo de permanência do resíduo em superfície; a outra opção é a utilização de culturas com uma menor relação C/N, cuja degradação dos resíduos é que têm uma degradação mais rápida, porém com uma maior disponibilidade de nutrientes para a cultura sucessora”, explica Benhur no documento.

 

Pensando nisso, é possível utilizar uma mistura de sementes que compreenda espécies com alta relação C/N (gramíneas) e baixa relação C/N (leguminosas, brássicas e crucíferas) focando em obter um equilíbrio de proteção de solo e adubação verde, segundo Severo.

Por meio da utilização de gramíneas, leguminosas, brássicas e crucíferas, é possível obter os mais variados benefícios provenientes de cada cultura em diferentes âmbitos, veja abaixo:

 

  • Aveia

Com a aveia, de acordo com Severo, se constrói uma “forragem de qualidade para bovinos em sistemas de integração lavoura pecuária no período do inverno, com alta capacidade de perfilhamento, adaptação, rusticidade, rapidez na formação da cobertura com bom fechamento entrelinhas, tolerância à acidez do solo, alto rendimento de matéria verde e seca, atua na ciclagem de nutrientes melhorando as condições físico-químicas do solo, promove equilíbrio microbiológico, descompactação, eficiente na reciclagem de nitrogênio (N) causando imobilização do mesmo e facilitando o controle de ervas daninhas para a cultura de verão”.

 

  • Centeio

Apesar de semelhante ao trigo, o centeio “tem como diferencial um ciclo mais longo, entre 120 e 150 dias. Atualmente é uma alternativa muito boa como planta de cobertura, tendo uma boa proporção talo/folha e com uma estrutura mais lignificada. Sua palha tem uma maior resistência à decomposição (por conta da proporção talo/folha) e um volume de biomassa por área muito grande, chegando a 10 toneladas de matéria seca por hectare. Uma planta rústica, resistente ao clima frio e seco, sistema radicular profundo e agressivo com maior volume de raízes quando comparado a aveia e reduz inóculos de doenças no solo. Suas raízes são recicladoras de N, P e K”, pontua o pesquisador.

 

  • Nabo

O desenvolvimento inicial do nabo é “muito rápido, cobrindo o solo rapidamente, sistema radicular robusto, profundo e ramificado (descompactação do solo), tolerante à seca, ao frio e a solos ácidos, alto rendimento de matéria seca, podendo chegar a mais de 6 toneladas por hectare, permite preparo biológico no solo, possui efeito alelopático, inibindo a germinação de plantas daninhas e elevada ciclagem de nutrientes (N e S), possuindo alta capacidade de extrair N de camadas mais profundas do solo (podendo chegar a 220kg/ha de N reciclado e superar 200kg/ha de K)”, explica Severo.

 

Desta maneira, ele sugere como alternativas para a cobertura do solo as seguintes “misturas”:

  • Aveia + azevém;
  • Aveia + azevém + centeio;
  • Aveia + ervilhaca;
  • Aveia + ervilhaca + nabo forrageiro.